Tip car: comunidade virtual organiza caronas

sexta-feira, maio 7, 2010 por Priscilla Santos

Já é sabido que carro somente com o motorista dentro não é nada legal para o trânsito nem para o ambiente. Mas às vezes fica difícil conciliar horários e pontos de encontro e carona mesmo acaba virando camaradagem, coisa de amigo. Foi por isso que o mineiro Alexandre Dias decidiu criar o Tip Car, um site que ajuda as pessoas a oferecerem e pegarem carona, sem cobrar nada. Quer dizer, o site não cobra, mas o motorista pode ganhar com isso. A coisa funciona assim: primeiro, você se cadastra no Tip Car (e pode usar sua conta do Google para isso, em vez de preencher aquele mesmo cadastro todo de novo), daí você consegue localizar pelo trajeto com quem pode pegar carona (ou oferecê-la) – sua rota é visível apenas para aqueles que fazem camainhos semelhantes. Os trajetos podem tanto ser dentro da cidade como viagens. E ainda há a possibilidade de você cadastrar eventos (brilhante ideia!). O próprio site aconselha você a checar o Facebook, Orkut etc para conhecer um pouquinho melhor a pessoa e saber se quer dividir seu trajeto com ela. O cálculo do quanto o “caroneiro” paga ao motorista pela viagem é automático e leva em conta custos como combustível, estacionamento, pedágios, manutenção a até depreciação do carro. Para criar o serviço, Alexandre pegou carona na ideia da Barca, um sistema informal que acabou sendo criado por um bando de mineiros que moram em São Paulo e sentem tantas saudades das montanhas e do pão de queijim que vivem indo para a terrinha. Quem me mandou a dica foi, outra mineirinha com eu, a Flavia Mantovani. Foi a maior coincidência, pois eu mesma já tinha viajado na Barca várias vezes indo e voltando de BH. Falando nisso, é para lá que estou indo nesse fim de semana. Claro, de carona – dessa vez, não com a barca, mas outra que consegui. Afinal, ferramentas como o Tip Car agilizam muito nossa vida, mas todo caroneiro velho de guerra sabe que compartilhar um carro sempre vai ser a coisa mais informal do mundo. Foto daqui.

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Bike Kitchen – DYI de conserto de bicicletas

quinta-feira, março 11, 2010 por Priscilla Santos

O detetive particular Jessie Basbaum e a pesquisadora de laboratório de imunologia Catherine Hartzell abriram em 2003, em San Francisco, o Bike Kitchen, espaço onde mecânicos-voluntários ensinam a consertar e até construir bicicletas usando materiais usados doados por lojas de bikes ou outras pessoas. É um espaço totalmente composto por voluntários e que se recusa deliberadamente a fazer serviços pagos. “É parte de nossa política não fazer consertos por dinheiro, estamos aqui para ensinar as pessoas a fazer os reparos por elas mesmas”, disse Hartzel no livro Nowtopia, de Chris Carlsson. O San Francisco Bike Kitchen é apenas um exemplo de Do-It-Yourself shop no mundo das bikes nos EUA. Essa proposta também existe em cidades como Los Angeles e Washington. A coisa por lá está indo tão longe que em Tucson, Arizona, menores de idade presos podem pagar por suas infrações se matriculando no chamado Earn-a-Bike Program – programa de voluntariado em que se aprende a construir ou restaurar uma bicicleta (o SF Bike Kitchen tem um desses, veja no vídeo!). O livro Nowtopia descreve o cumprimento da pena assim: as crianças precisam selecionar uma bike quebrada em uma sala com mais de mil delas e aprender a trazê-las de volta à vida. Uma vez que a bicicleta foi propriamente reconstruída e melhorada, o menino ou menina completou sua sentença e deve subir na bike (a mesmissima!) e ir para casa. Awesome!

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A verdadeira história do Critical Mass

terça-feira, março 9, 2010 por Priscilla Santos

Você deve conhecer a Bicicletada, pedalada que acontece toda última sexta-feira do mês, com saída na hora do rush da Praça do Ciclista, próxima à Paulista com Consolação. Pois é. O passeio de bike auto-organizado, sem líderes e roteiros pré-definidos, acontece no mesmo dia (desconte aí os fuso-horários) em mais de 200 cidades do mundo e começou em 1992 em San Francisco, onde é conhecido como Critical Mass. Quem estava lá no meio da gestão dessa história é Chris Carlsson. O cartão de visitas diz que Chris é escritor, historiador, designer e outras coisas mais. Eu o enxerguei como um ativista urbano com backgroud dos melhores nos EUA – Chris nasceu em Nova York, cresceu em Chicago e fez a vida em San Francisco. Entre seus vários “trabalhos” – coisas que ele não faz por dinheiro, mas por crença – estão passeios a pé e de bike por sua cidade. Conheci o Chris por intermédio de uma amiga, a Tati, que conviveu bastante com ele durante o ano sabático dela.  Fomos a um pico no meio da cidade de onde se tem uma vista de quase 360 graus de SAn Francisco – inclusive do que turistas, como eu, não veem. Foi nesse pano de fundo que gravei esse vídeo em que Chris conta de forma nada institucionalizada e sem meias-palavras como surgiu o Critical Mass, as transformações pelas quais o movimento passou e comenta as perseguições policiais, que voltaram à tona agora (aqui você econtra matérias da TV local sobre isso). Tudo isso intercalado com cenas da pedalada de fevereiro em San Francisco, de que participei. Dá uma olhada.

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Conversa de ônibus

sábado, janeiro 30, 2010 por Priscilla Santos

Há cerca de um ano e meio tenho uma bicicleta dobrável. Se estou de bike e chove, pego um táxi e a coloco no porta-malas. Essa semana resolvi pela primeira vez dobrar a bike e pegar um ônibus – sempre achei que seria trabalho demais, onde colocaria a bicicleta? Como faria para sentar e segurar a bike ao mesmo tempo, sem atrapalhar a passagem? Eis que na quarta-feira resolvi fazer a primeira experiência, que foi muito bem-sucedida. Como só passo 10 minutos dentro do ônibus, é tranquilo. Tenho que entrar com a bike e ficar ali ao lado do motorista – único lugar em que cabe a magrela sem atrapalhar o fluxo – durante todo o trajeto. Entrar em um ônibus com uma bicicleta dobrável é gerador de assunto instantâneo. Logo o motorista já olha de lado, solta uma pergunta. Reproduzo abaixo o diálogo de quinta-feira – uma pequena demonstração de mais uma das habilidades da bike, a de socializar. Afinal, era uma história com bicicleta o que eu e aquele motorista (esse aí na foto) tínhamos em comum. Ah, imagine que tudo que o motorista dizia saía com sotaque baiano.

Ele -  Essa bicicleta é daquelas normais?

Eu – É sim, só a roda é menor

Ele – Eu andava muito era disso aí, nos idos, lá no interior. O caminho era assim ó: subia um pouquinho e depois descia, descia, aí subia mais um puquinho e descia. Delícia. Eu tinha um farol que os carros até saíam quando eu passava de tão potente. É um farol assim grande, muito raramente passa alguém com um assim. Eu usava um dínamo, enquanto pedalava carregava a bateria das luzinhas. Quando eu parava, as luzinhas apagavam.

Eu – Ah, é? Lá no interior da Bahia há um tempão atrás já tinha dínamo? (penso comigo: e nós achando que isso era uma revolução de agora, quem diria, pura sabedoria popular).

Ele -  Tinha sim. Já vinha na bicicleta. Agora é que virou demodé. Mas se você for numa loja dessas que têm um monte de equipamentos ainda acha.

Eu – E onde é esse interior?

Ele – É Serrinha, na Bahia. Perto de Aparecida.

Eu – E você não tem vontade de voltar para lá não?

Ele – Ah, você sabe como é. São Paulo é que nem Nova York, Paris, muita versatilidade.

Dou sinal para descer no próximo ponto.

Eu – Qual é seu nome?

Ele – Aqui na linha, me chamam de Jesus.

Eu – E qual é seu nome mesmo?

Ele – É Messias.

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Copenhague e Noronha: a 1ª é para a 2ª existir

quarta-feira, dezembro 30, 2009 por Priscilla Santos

O que a primeira imagem (Birgit, minha anfitriã em Copenhague, ao lado da bike que usa em seu transporte diário) tem a ver com a segunda (vista do Forte dos Remédios, em Fernando de Noronha)?Para começar, foram clicadas nos dois lugares em que estive nas duas últimas semanas. Desembarquei em São Paulo vinda da Cop-15, na Dinamarca, no dia 19 de dezembro e já rumei para minhas tão sonhadas férias no dia 20 cedinho. Como não deu para comentar o desfecho da conferência climática na época e agora a notícia já ficou velha, decidi colocar aqui minha impressão dessas experiências (de toda forma, veja na continuação da matéria uma recapitulação sobre o desfecho da Cop-15). Apesar de eu ter passado quase todas as horas do dia em Copenhague dentro do centro de conferências, era pela manhã na ida de ônibus-e-metrô para o Bella Center, e na volta para casa, quando, dependendo do horário, ainda restava tempo para sentar no sofá e tomar um cafezinho com meus anfitriões, um casal simpático dinamarquês, que me vinha a certeza de que numa coisa estávamos certos: independentemente do que os políticos decidam sobre o futuro global, devemos manter nossas pequenas atitudes diárias que contribuem para um mundo mais limpo – e para uma vida mais agradável.

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Copenhague: estou aqui!

segunda-feira, dezembro 14, 2009 por Priscilla Santos

Cheguei ontem à tarde em Copenhague para acompanhar a segunda e mais quente semana da Cop-15, a conferência climática da ONU que reúne representantes de 192 nações para discutir, em 14 dias, qual será o futuro da humanidade. Você deve estar acompanhando as notícias. A ideia é que saia desse encontro a decisão do que fazer ao final da primeira etapa do Protocolo de Quioto, em 2012. Eis que no meio de tanto assunto cabeludo, encontro uma Copenhague doce, do jeitinho que imaginei: sim, aqui faz frio, os prédios são gracinha e as ruas…das bikes. Acredite: eram 8 da manhã quando tirei a foto abaixo, logo na entrada da estação de metrô Norreport. O frio era de gelar os dedos. E o dia acabaria logo cedo, no máximo às quatro da tarde. Ainda assim, lá estão as pessoas de bicicleta pela rua. Aqui, bike é meio de transporte de verdade. Faça frio ou calor. Na imagem acima, várias magrelas na porta do Bella Center, onde está rolando a conferência. Meus anfitriões, um simpático casal dinamarquês, são exemplo: já passaram dos 60 e nunquinha na vida tiveram carro – mesmo quando seus dois filhos eram pequenos e ainda precisavam ser levados para lá e para cá. Os dois trabalham cada qual em um hospital e se deslocam todos os dias de bicicleta, inclusive para fazer compras, visitar amigos e ir à praia (em menos de meia hora de pedalada se alcança uma). Vida longa aos Langvad Nilsson! (e à torta de maçã com chantili que comi ontem e hoje aqui na casa deles, um prédio de mais de 90 anos, reciclado).

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Campanha gentileza no trânsito

segunda-feira, dezembro 7, 2009 por Marcia Bindo

 

Trânsito em São Paulo você tem que encarar com uma baita paciência: se alguém te fechar, releve. Se o outro motorista não deixou você ultrapassar, tolere. Se o camarada roubou sua vaga, respire fundo. O cara ao lado quer comprar briga? Faça como uma amiga minha – mande beijinhos (que acaba desconcertando o sujeito raivoso e até, quem sabe, dando um pouco de humor às agruras diárias do trânsito). Pensando em diminuir tanta intolerância nas ruas brasileiras a Porto Seguro criou a campanha Trânsito Mais Gentil – que entre no ao ar hoje com este vídeo acima (entre outros). Ação bacana, já que só a Central 190 da Polícia Militar de São Paulo registra uma média de 30 brigas entre motoristas diárias na capital – e esse número aumenta – adivinha quando? nas sexta-feiras! De estresse, já chega o próprio trânsito, né gente?

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Poesia urbana

terça-feira, outubro 27, 2009 por Priscilla Santos

Sábado passado topei com esse grafite no Beco do Batman. No muro, bem próximo ao chão, bota abaixo muitos preconceitos ao mostrar uma mulher de saia e salto alto com sua bike. Me fez lembrar o blog Copenhagen Cycle Chic e suas diversas versões ao redor do mundo que exibe fotos de homens e mulheres vestidos no maior estilo pegos pedalando pelas ruas. No mesmo dia, também registrei essa bicicleta dobrável no poste da esquina da rua Aspicuelta com Girassol, em frente a uma marcenaria. A bike se parece com a Dahon que uso para me deslocar por aí. Adorei!

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ZazCar: carros compartilhados chegam à São Paulo

segunda-feira, outubro 19, 2009 por Priscilla Santos

Descobri dia desses que tal qual os EUA, a Itália e alguns outros países da Europa, o Brasil já possui um serviço de carros compartilhados. O ZazCar funciona assim: os carros da empresa ficam estacionados em pontos ao redor de estações de metrô na região da Paulista (Clínicas, Consolação, Trianon-Masp e Brigadeiro). Se você é cadastrado no serviço, basta ir até o carro, liberá-lo com seu cartão ZazCar e usar pelo tempo que precisar. Depois, o deixa em um desses pontos de novo. É a facilidade de ter um carro sem o incômodo de pagar seguro, IPVA, colocar gasolina ou levar na oficina mecânica, pois tudo isso a empresa faz. E quanto custa essa moleza? Há 4 tipos de plano. No mais barato, você paga uma taxa de adesão única no valor de R$60 e uma mensalidade de R$15, mas paga toda vez que for usar o carro. A hora de uso varia de R$32 a R$64 dependendo do modelo do veículo (não se preocupe, o da foto é só uma brincadeira). Nos demais planos, há créditos incluídos na mensalidade. No mais caro, paga-se R$600 por mês e têm-se o equivalente em crédito, e cada hora de carro custa de R$22 a R$44,80, já mais em conta que o plano básico. A grande pergunta é: não seria mais fácil pegar um táxi, que me busca na porta de casa? Ao que o Felipe Barroso, um dos empreendedores da ideia, responde: “Entendemos que o taxi é mais eficiente para viagens “ponto a ponto” de curta distância. Mas nosso objetivo é substituir o carro privado nos momentos em que ele é o meio de transporte mais eficiente: fazer compras no supermercado, viagens de fim-de-semana, passeios a lazer (pense represa de Guarapiranga/Serra da Cantareira), pegar alguém no aeroporto, sair à noite etc.” Então tá, fica aí a dica.

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Cidade do México – cenas de mobilidade urbana

sábado, outubro 3, 2009 por Priscilla Santos

Comentei outro dia nesse post aqui, que eu e a Marcia fomos para a Cidade do México para um treinamento com Al Gore. Imaginávamos uma cidade feia, caótica, pouco convidativa. Com seus 25 milhões de habitantes, essa megalópole latino-americana que é a segunda maior do mundo, nos surpreendeu para o bem. Para quem vive em São Paulo, é quase impossível não fazer comparações. E as que mais surgiam, irremediavelmente, eram em relação ao transporte público e sustentável. Na Cidade do México, o metrô tem 12 linhas – e não houve um lugar que quisemos ir que o metrô não nos levou. A seguir, uma seleção de cenas de transporte verde, começando por essa foto simbólica: não haveríamos percebido a estátua no canteiro central da Avenida Reforma, uma das referências da cidade, se um pedestre que passava ao lado dela não tivesse tocado o sino – que faz as vezes de buzina. Muito simpático!

Acima, no centro histórico, o semáforo para pedestre com cronômetro – para saber se dá tempo de atravessar a rua e não correr o risco de ficar parado em meio aos carros (infelizmente, em outras áreas da cidade, muitas vezes é preciso se meter na frente dos carros, que ignoram a faixa de pedestre, ajudados pela falta de semáfaro para quem está a pé).

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