Uma visitinha (verde, claro) ao Rio Grande do Sul
terça-feira, junho 2, 2009 por Priscilla SantosNeste último fim de semana estive em Porto Alegre e na pequena Antônio Prado, interior gaúcho, em uma viagem com um grupo do Slow Food Brasil. Daí, essa semana decidi falar um pouco sobre os lugares “verdes” que conheci por lá – em uma licença à nossa cobertura estritamente paulistana. Ficam as dicas para quem for fazer uma viagem ao Sul ou mesmo para um eventual leitor gaúcho. Para começar, duas feiras agroecológicas em Porto Alegre, a do Parque da Redenção (foto abaixo) e a do Menino Deus (foto acima). A primeira, maior e mais tradicional, surgiu há 20 anos. Ninguém por perto soube me informar quantas são as bancas, mas afirmo tranquilamente que são mais de 100, se não muito mais, que oferecem de um a tudo: da farta variedade de legumes, frutas e verduras (incluindo brotos de ervilha, feijão e cebola, esse último nem a Cenia Salles, líder do Slow Food São Paulo conhecia, de tão raro) a lindíssimos (e com cara de saborosos) bolos, pães e biscoitos a tortas congeladas, massas pré-prontas, hambúrgueres de soja orgânico. Sem deixar de passar por cereais de todos os tipos: mil e uma variedades de arroz e feijão dividem o encantamento com a linha completa de laticínios à base de leite de cabra: queijo (Minas e chèvre), iogurte, natural e com sabor. Os molhos e compotas também são de encher os olhos. Tudo vendido diretamente pelos produtores e seus familiares, que vivem a até 200 quilômetros de distância do local e não poupam esforços ao explicar sobre seu trabalho e sobre as maravilhas que você pode fazer com aqueles ingredientes. Tamanho apuro atrai uma clientela de 4 a 5 mil pessoas por fim de semana de tempo bom. Não foi o caso deste. Mas a chuva e o frio não deixaram de fazer com que a feira estivesse bem cheia. (Veja + 14 fotos na sequência da matéria).
Nessa barraca, havia queijos feitos com leite de cabra orgânico. Provei o Minas e o Quaker. Só não levei porque só voltaria para casa daí há dois dias.
Veja só: cereais matinais com ingrediente orgânicos. Vi essas rodelinhas nas duas feiras que visitei em Porto Alegre.
Prato cheio (mas não de agrotóxicos!) para os vegetarianos.
Parada para o café expresso orgânico. Esse não provei, mas os colegas elogiaram.
Preste atenção no cartaz ao fundo: um caminhão estacionado no local recebe óleo de cozinha usado para reciclagem.
FEIRA DO MENINO DEUS
O Rio Grande do Sul tem cerca de 150 feiras semanais de alimentos sustentáveis. De 8 a 10 delas estão em Porto Alegre, sendo 3 realizadas pela Associação de Agroecologistas Solidários (só aí já são de 400 a 500 famílias de pequenos agricultores dependentes quase que exclusivamente da feira para a própria subsistência). Além da feira de que falei acima, outra pertencente à associação que visitei é a que fica em uma área dentro da Secretaria de Agricultura, no bairro Menino Deus. Mais miúda, mas não menos completa, esta feira tem três belas vantagens. A primeira é que é coberta, sendo assim, pode chover à vontade. Depois, por ser menos badalada não fica tãaaao cheia quanto a do Parque. Como diz Maria Helena, produtora de bergamotas montenegrinas e do delicioso suco de tangerina Novo Citrus: “Ninguém vem para passear aqui, só para comprar”. Por fim, vejam que maravilha, além de acontecer aos sábados até o horário do almoço, as barracas também são montadas na quarta, quando o horário se estende oficialmente das 14h às 19h, mas Maria Helena disse que alcança as 20h. Já pensou poder sair do trabalho e fazer feira? E uma bela feira. Existente desde 1995, a feirinha do Menino Deus tem 25 bancas e vende de hortifrutis a laticínios, cereais, tortas, pães bolos, sucos, compotas, molhos e por aí vai, uma infinidade de gostosuras.
Maria Helena negocia suas frutas e sucos. Ela e o marido, o Willian, possuem uma pequena agroindústria em casa. Os dois começaram sozinhos e hoje têm ajuda de dois funcionários na produção do suco de tangerina orgânico (que, em São Paulo, pode ser encontrado, por exemplo, no Sabor Natural).
Um feirante italianíssimo. Tão italiano que não posso contar mais nada sobre ele: por mais que eu tentasse travar o diálogo, o senhor não me entendia. Só mandando um dialeto de Veneto eu conseguiria algo…
Para não dizer que não falei de flores. Elas enfeitam a pequena e graciosa feira do Menino Deus.
Entre as curiosidades, estão o pão de queijo orgânico, assado em fôrmas, tal qual uma empada (veja na foto abaixo). Como boa mineira, não pude deixar de avaliar. Peguei logo o recheado com alho porró. Acreditem, aprovadíssimo (apesar de que o café para acompanhar estava meio aguado).
Quitute tradicional no sul do país, em versão integral e sustentável. Pena que a data de validade só ia até segunda, assim ficava difícil levar pra casa…
Mas prazo de vencimento não foi problema no caso dessa torta integral de banana, que experimentei na hora.
Serviço: Feira do Parque da Redenção. Sábados, das 7h30 às 13h (com produtos frescos até o final), no Parque da Redenção, Bairro Bonfim. Feira do Menino de Deus. Sábados, das 7h30 às 13h, quartas, das 14h às 19h (no horário oficial, mas costuma se estender até às 20h). Pátio da Secretaria Estadual de Agricultura. Entrada pela rua Gonçalves Dias e pela Avenida Getúlio Vargas, 1384.
POR VIR: MERCADOS DA TERRA
Se você se empolgou com as feiras, vai aí o gostinho de um projeto que está por vir (a maior novidade do seminário do Slow Food que nos levou a essa viagem ao Sul): os Mercados da Terra. Mais que feiras-livres com produtos sustentáveis, esses mercados seguem a fundo os preceitos do Slow Food, com critérios como: os alimentos devem ser bons (saborosos), limpos (para o meio ambiente) e justos (com preços coerentes tanto para quem compra quanto para quem vende). Os feirantes devem ser pessoas envolvidas diretamente com a produção, os alimentos devem ser da estação e locais (será definido um raio em quilômetros para cada caso). A exceção fica por conta dos ingredientes que estão nas Fortalezas do Slow Food Brasil, um catálogo de produtos tradicionais em extinção, que poderão ser vendidos independentemente da distância de sua produção. O Mercado deve acontecer ao menos uma vez por mês e no mesmo local, de preferência um espaço público. O projeto é recente no Slow Food internacional. Por enquanto só existem 8 Mercados da Terra no mundo: 5 na Itália, 1 em Israel e 3 no Líbano (referência mundial). Por aqui, o pessoal já começa a se articular. Espero poder divulgar o primeiro Mercado da Terra brasileiro aqui para vocês em breve.

















junho 2nd, 2009 at 12:38 pm
Oi Priscila, tudo bem?
Parabéns pela matéria sobre nossa viagem. Foi gratificante visitar essas feiras e poder se aproximar de produtores engajados e comprometidos com a cultura local.
Bjs
junho 2nd, 2009 at 12:40 pm
Oi, Ju! Obrigada. Me avise quando sair a sua!
junho 2nd, 2009 at 2:29 pm
Oi, Priscilla! Quanta rapidez! Eu ainda estou no ritmo Slow, mas adorei ver as feiras aqui – e tantos produtos bons, limpos e justos rss. Parabéns, um beijo, N
junho 3rd, 2009 at 8:48 am
q gostinho de saudade das feirinhas de poa, Pri. uma rotina que faz falta aqui em bsb. adorei o projeto dos Mercados da Terra … até o nome é inspirador
beijo!
setembro 2nd, 2009 at 4:03 pm
Muito bom esse post.
Estou começando a pensar verde e doidinha para incorporar ‘hábitos orgânicos’ ao nosso dia-a-dia.